Pergunta

Caro Nelson,

Pretendo trocar meu Astra por um carro que possa trafegar por estradas de terra esburacadas e enfrentar uma laminha de vez em quando ( não pretendo fazer trilha ) . Dentre as opções que analisei ( Pajerinho TR4 , Troller , EcoSport e Tracker ) o tracker me pareceu o mais acertado em virtude do custo/benefício e por atender com folga o que espero do veículo .è um carro que com certeza me agradaria; inclusive gosto do design, que muitos consideram defasado. No entanto o que me deixa em dúvida são duas questões :

1. Qual o futuro no Brasil de um carro com motor não-flex ? Terei dificuldades na hora de revender?

2. Existe intenção da GM de lançar este carro com motor flex ?

Se isto acontecer breve vou ficar com um “mico” na mão !

3. E o novo Vitara, vendido na Europa. Será que a GM tem planos a curto ou médio para lança-lo aqui no Brasil ?

Neste caso substituiria o tracker atual, certo ?

Estive lendo suas análises e gostei muito. Creio que possa me ajudar na decisão de comprar logo ( ou não ) o Tracker.

Grato,
Claudio

 

Resposta

Caro Claúdio,

Ainda que você não seja um “Associado Automoveldicas” e/ou um “Segurado Automoveldicas” vou dar uns palpites em suas opções de compra.

Você mencionou carro flex e neste sentido o Troller oferecido apenas na opção diesel também está fora de suas intenções de compra. Além disso um Troller 0 km, estaria bem acima dos preços dos outros veículos mencionados, ou seja, se realmente o Troller faz parte de sua intenção de compra a análise deveria ser outra, pois são quase 20 mil reais de diferença de preços.

Confesso a você que também tenho estudado um pouco este mercado dos utilitários de entrada e chego a conclusão que não tem nada parecido com este GM Tracker quando o assunto é custo / benefício. Só o airbag duplo, o telo solar elétrico e as rodas de liga leve já são suficientes, para justificar a compra do mesmo em relaçao a este outros mais próximos (Mitsubishi TR4 e Ford Eco Sport).

Design desatualizado: se pensarmos nestes outros dois concorrentes, chegamos a conclusão que os três estão na mesma situação. Acho até que o Ford EcoSport acaba sofrendo um pouco mais com este apelo, pois como vende muito mais (lembre-se que o mesmo chegou a ser oferecido com motor 1.0 turbo alimentado (Super Charged) e seu valor de entrada sempre foi mais baixo em relaçao a concorrência) mais veículos destes modelo acabam rodando pelas ruas e isto acaba cansando com mais frequência. O mercado de veículos é meio movido ao “fuja do rebanho”, ou seja, muita gente compra carros para chamar atenção e quando o carro é pouco comercializado acaba tendo também um apelo maior de vendas.

Há dois anos atrás, andar de New Beetle ou PT Cruiser era uma sensação. Hoje já se tornou mais comum….

Motor Flex: as montadoras já perceberam que vender carros num maior volume de vendas representa oferecer a gana com motores flex. Até os recem chegados (Peugeot,Renault, Toyota, Citroen, Honda) começam a disponibilizar a motorização flex em veículos configirados com motor 2.0 flex, não só para atender o mercado local, mas muito desta competência adquirida poderá ser utilizada e oferecida em outros mercado. Deter a tecnologia flex repreenta um diferencial para qualquer montadora do mercado.

O que determina ou não a sua aplicação é com certeza o volume de vendas do modelo. Não é só pensar em oferecer e sim a conta precisa ser fechada. Ninguém faz fazer inverstimentos em tecnologia, alterar componentes, alterar projetos, etc, etc para vender meia dúzia de carros.

Veja o caso do modelo Nissan Tida. O mesmo é oferecido por R$ 54 mil reais, repleto de acessórios, incluindo duplo air-bag e rodas de liga leve. Tem uma concepção moderna, uma alternativa interessante, entretanto não vende como imaginávamos. Pelo menos não vejo tantos na rua diante de uma situação tão interessante de custo / benefício. Num patamar próximo dos R$ 50 mil reais, a oferta da motorizãção flex começa a fazer sentido. Quem compra carro nesta faixa de preço e em outras também está preocupado com custos de combustíveis e rodar com carro a álcool, nos dias de hoje e no estado de São Paulo, faz todo o sentido. Com certeza se o modelo fosse ofertado com a motorização flex venderia em maiores volumes. Resta saber se estes volumes de vendas atendem as expectativas da montadora ou se existe algum plano de oferecer tal motorização em nosso mercado. O mesmo problema acaba afetando o sedan da marca (Nissan Sentra) onde os seus pares concorretes já são oferecidos na motorização flex.

Não tem jeito a importação mesmo que favorecida por alguns acordos de mercado (carros vindos do México, por exemplo) viabilizando a ofertas de modelos em condições bastantes favoráveis, acaba sendo prejudicada pela não oferta desta motorização flex. Alguns modelos feitos no País vizinho (Argentina) já são feitos com motor flex, mas perceba que as montadoras nestes casos são as mais antigas de nosso mercado, que já possuem a competência desta tecnologia e mais do que isto a manufatura nestes outros msercado tem como maior destino final o nosso mercado local.

O GM Tracker é feito na Argentina e vende pouco em nosso mercado. É um modelo de nicho. Só a montadora saberia dizer se os volumes de vendas atuais atendem as expectativas do que fora programado por ocasião desta, em decidir oferecer tal modelo em nosso mercado.

Sabemos que a mesma gostaria de ter uma opção 4×4 num mercado de entrada. A fabricação local de um novo modelo não justificaria. Outras prioridades estavam sendo tratadas (Vectra, Vectra GT, nova linha Astra, etc, etc). A Blazer com opção 4×4 estaria numa faixa de preço acima deste segmento de entrada, ou seja, trazer este modelo da Argentina com excelente relação de custo / benefício nos parece um grande acerto por parte da montadora.

Não acredito que este modelo Tracker seja oferecido numa versão flex num curto espaço de tempo. Ainda assim representa uma opinião muito pessoal.

Ficar com um mico na mão se isto acontecer: perceba que você terá um veículo 08 e este modelo flex seria no mínimo um modelo 09. Quem quiser comprar vai ter que pagar mais pelo mesmo. Hoje eu tenho um Citroen C3 03/04 motor a gasolina. A opção flex fora disponibilizada somente como 04/04 e com certeza este veículo custa um pouco mais caro do que o meu, ainda que ambos sejam modelo 04 e no mercado de usados o modelo do mesmo é que define o posicionamento nas litas de preços de modelos usados. Veja que erro grave que o mercado pratica.

Talvez exista uma maior desvalorização de modelos similares quando comparados a motores flex e motores a gasolina. O modelo flex poderá valer um pouco mais, ainda assim não encontramos aquela situação que os modelos movido a gasolina estão encalhados nas lojas de usados, até porque rodar com álcool é mais vantajoso em algumas partes de nosso País. Lugares mais distantes dos grandes centros e mais distantes das usinas produtoras tem custos na bomba próximo ao valor da gasolina.

Suzuki no País:

Há algum tempo atrás o Jornal do Carro publicou fotos do crossover SX4 e do XL7 em testes pelo País. Especulações surgiram sobre a importação de modelos da marca via Grupo Souza Ramos, não sendo confirmada por estes.

Nesta semana o mesmo Jornal do Carro flagrou um outro modelo da marca, agora o esportivo Grand Vitara rodando com placa azul (teste da montadora) com tarja da cidade de Catalão – Goiás.

Lá está a Mitsubishi do Brasil representada no Pais pelo Grupo Souza Ramos.

Nos parece uma situação estranha pois nitidamente existe concorrência direta entre os modelos de ambas as marcas. Acho difícil para aquele que já representa e fabrica modelos da Mitisubishi, considerar algo com a marca Suzuki.

O que é certo é que a Suzuki tenciona voltar ao mercado, seja por representar, seja por manufatura local. Resta saber como será este retorno pois existem milhares de usuários insatisfeitos com a saída da marca de nosso mercado, ocorrida há alguns anos atrás. Muita gente ficou sem peças de reposição, mão de obra especializada, maior desvalorização dos seus modelos, etc, etc. Talvez a idéia de uma manufatura local possa superar este momento difícil que a marca já passou.

Também não acredito que num início de operação a mesma tenha mais sucesso do que a GM vem conseguindo com o modelo GM Tracker, ou seja, a rede de revendas autorizadas passa a ser fundamental neste tipo de negócio e para os japoneses vender os seus Jipinhos (Tracker) via GM já representa um bom negócio.

Comprar ou não o GM Tracker. Se você possui tal capital, pode comprar sem receios. Sempre haverá algém para recomprar o seu 4×4, mesmo que possa perder um pouco mais, ainda assim os poten

 

Agradecimento

Caro Nelson,

Excelente análise ! Com certeza em muito vai ajudar na minha decisão de compra do Tracker .

Agradeço a atenção dispensada e desejo cada vez mais sucesso .

Grato,
Cláudio Rennó